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10/9/2018 | Artigo Por Rudinei Carapinheiro

Tecnologia na esfera pública: redução ou aumento de gastos?


Tecnologia na esfera pública: redução ou aumento de gastos?

Um dos maiores avanços tecnológicos que presenciamos no século XX foi tanto a automação de processos quanto a introdução de comunicação de dados aos processos industriais, comerciais e de serviços. Com isso, os principais setores da economia ganharam rapidez, eficiência e produtividade, já que a troca e obtenção de informações são realizadas em um período mais curto de tempo, permitindo a tomada de decisões rápidas e assertivas.

As influências que motivam uma instituição a adquirir novas tecnologias criam cenários diferentes para o mercado onde ela atua, e as consequências decorrentes dessas motivações se transformam em benefícios para os negócios, pois permitem a ampliação a diversificação das atividades e a automação de processos.  

É o caso dos bancos, por exemplo, que passaram a realizar transações por meio de plataformas seguras e eficientes conectadas à internet. Como consequência, houve uma diminuição drástica no fluxo de pessoas que vão às agências físicas, no entanto, sem diminuir o número de clientes, implicando diretamente na necessidade de intermediários entre clientes e os serviços oferecidos.

Nesse contexto, empregos como atendentes, ajudantes e caixas perdem valor, pois  o custo de manter um serviço online equivalente é mais baixo, mesmo que isso exija um investimento inicial considerável. Muitas demissões são decorrentes dessa desvalorização.
Os avanços da tecnologia trazem inovações em todos os setores, sendo que  no setor de serviços, por exemplo,alguns postos de trabalho estão sendo extintos pelo uso cada vez mais frequente dos softwares, ou seja, profissões estão virando programas de computador.

Na esfera pública, também é possível automatizar de diversos serviços, como a declaração de  imposto de renda,  documentos, ocorrências de trânsito e muitos outros. Paradoxalmente, o Brasil tem  mais de 2 milhões  de servidores públicos federais.

O Poder Executivo é o que mais emprega, com 1.872.802 servidores trabalhando em todos os órgãos da administração pública  direta, autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de    economia mista e Banco Central, além dos militares. De acordo com o Instituto Fiscal Independente (IFI), ligado ao Senado Federal, de 2007 a  2016, os gastos federais com Poderes do Estado e Administração corresponderam a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB), em média, ou cerca de 10% do gasto federal total.

Em 2016, a diferença de ganhos entre servidores e trabalhadores do setor privado cresceu. Segundo o IBGE, foi o maior aumento da série histórica iniciada em 2012. Enquanto, em 2015, o funcionário público ganhava, em média, R$ 3.152 — 59,3% a mais do que um empregado regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) —, em 2016, esse índice chegou a 63,8% (R$3.199 contra R$ 1.952).

Diante da clara vantagem dos servidores  públicos e diante da situação de caos em que se encontra o país, aproveitando o momento das eleições, será que não está na hora de aproveitar as vantagens tecnológicas e desinchar a máquina pública? Afinal de contas, os sacrifícios decorrentes da diminuição de postos de trabalho, retração do poder de compra e a falta de perspectivas podem ser combatidos se cada um entrar com sua cota, mas o governo também tem que fazer concessões, pois já não há mais de onde tirar da população.

Por: Rudinei Carapinheiro


Fonte: Rudinei Carapinheiro