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A
Panorama geral Bélgica

A “Ducasse” de Mons | A “Ducasse” de Ath | O Carnaval de Binche | Marchas militares da Entre-Sambre-et-Meuse | As Festas da Walônia | O Teatro Real de Toone | A Zinneke Parade | O Folclore Estudantil

Luxemburgo em breve
B
Personalidades em destaque em breve

A. Panorama geral

Bélgica

O folclore belga é composto tanto por manifestações populares diretamente herdadas da Igreja Católica, quanto por outras, laicas e até anticlericais.
A Bélgica, terra católica na fronteira dos territórios protestantes, recebeu toda a atenção da Igreja na época da Contra-Reforma, ainda mais porque tinha sido atraída, num primeiro tempo, pelo protestantismo. Por essa razão, a Igreja incentivou o desenvolvimento de peregrinações, procissões e todo tipo de manifestações religiosas populares que contrastavam com a sobriedade protestante. Isso teve um impacto considerável sobre o folclore belga, tanto no norte como no sul do país. O catolicismo teve uma influencia duradoura na Bélgica (muito mais do que na França, que foi laicizada bem mais cedo), mesmo se as bacias industriais da Walônia foram laicizadas um pouco antes do resto do país, após uma industrialização brutal.
Muitos elementos do folclore belga foram diretamente herdados desta influência da Igreja Católica: as procissões, a “ducasse de Mons”, a “ducasse de Ath”, o “Ommegang”, as caminhadas de Entre-Sambre-et-Meuse… Os carnavais (Binche, Chapelle-lez-Herlaimont, Malmedy, Stavelot, Fosses-la-Ville …), que misturam elementos religiosos e pagãos, também são bem conhecidos, assim como manifestações totalmente laicas, como da Zinneke Parade, ou declaradamente anticlericais, como a festa estudantil de Saint-Verhaegen.
A “ducasse” é uma festa tradicional de vilarejo, na Bélgica e no norte da França. Sua origem encontra-se nas procissões que os crentes organizavam para honrar seus santos patronos. As “ducasses” mais famosas são a da cidade de Mons, no domingo de Trindade e a da cidade de Ath, no quarto domingo de agosto.


A “Ducasse” de Mons
A “Ducasse” de Mons é uma festa folclórica que se realiza cada ano na cidade de Mons, na festa da Trindade (oitavo domingo após a Páscoa). É também impropriamente chamada de Doudou, nome de uma melodia tradicional tocada durante as festividades. A “Ducasse” incorpora elementos das procissões e das antigas festas de gigantes do norte da França e da Bélgica.
A origem desta festa vem da Idade Média. Em 1349, como a região está assolada por uma epidemia de peste, as relíquias de Santa Waudru, patrona da cidade, são levadas numa carroça até o vilarejo de Casteau, onde encontram as relíquias de São Vicente de Soignies, seu esposo. A epidemia de peste termina. Esse milagre é atribuído a Santa Waudru e é decidido que suas relíquias serão transportadas cada ano. Em 1352, a data da procissão é definitivamente fixada no domingo de Trindade. A partir de 1380, a confraria de Monsenhor São Jorge participa da manifestação. Essa confraria, criada no final do século XIV por Guilherme da Bavária e constituída de membros da nobreza, do prefeito e de seus assistentes, incorpora na procissão uma reconstituição do combate de São Jorge contra o dragão. A popularidade de São Jorge na região é devida à interferência da história do santo com uma lenda local, a de Gilles de Chin. Este último, após participar das Cruzadas, é reputado ter matado um monstro nos pântanos de Wasmes no século XI. Este combate será excluído da procissão somente no século XIX. Entre a Revolução francesa e 1803, e durante as duas Guerras Mundiais, a procissão não é realizada. É por volta de 1930, sob a impulsão do eclesiástico Puissant, que a procissão é retomada com vigor, com a criação de novos grupos folclóricos e uma renovação dos trajes.

Desde 25 de novembro de 2005, a “Ducasse” de Mons é reconhecida como Obra-Prima do patrimônio oral e imaterial da humanidade pela UNESCO (Lista dos Gigantes e dragões de procissões da Bélgica e da França).
A “Ducasse” consiste em dois “jogos”: o “Jogo de Santa Waudru” e o “Jogo de São Jorge”.

O Jogo de Santa Waudru se compõe dos seguintes atos:
1. A descida do caixão com as relíquias de Santa Waudru: no sábado à noite, o caixão é retirado de seu lugar e entregue ao prefeito e a seus assistentes.
2. A saída do Carro de Ouro: no domingo de manhã, após a missa, o caixão é colocado sobre o Carro de Ouro (carro de 1780); São Jorge e as personagens do Lumeçon (veja abaixo) vão da prefeitura até a Igreja, de onde tiram o Carro de Ouro e o colocam ao longo do Coro.
3. A procissão do Carro de Ouro: este último é puxado por cavalos e, junto com as relíquias da santa, transporta também algumas crianças e um padre encarregado de ler um milagre de Santa Waudru a diferentes lugares estratégicos da procissão. Ao longo dos anos, esta última se enriqueceu com a presença de grupos históricos representando entre outros as guildas dos artesãos de Mons.
4. A subida do Carro de Ouro: a procissão se termina pela subida da rampa Santa-Waudru, uma ruela de velhos paralepípedos mal ajustados e muito íngreme (inclinação da ordem de 20%). Como o Carro de Ouro é muito pesado, existe sempre o risco de que ele não consiga subir. A lenda diz que se ele não chegar ao topo da rampa Santa-Waudru de uma só vez, algo terrível acontecerá na cidade neste mesmo ano. O Carro não teria subido em 1914 e em 1944. Felizmente, a população de Mons ajuda o Carro de Ouro a subir até o final empurrando-o com todas suas forças. Isso dá origem a um clamor que pode ser ouvido de longe. São Jorge precede o Carro de Ouro na subida da rampa.
5. A recolocação do caixão de Santa Waudru: no domingo seguinte, o caixão retorna a seu lugar sobre o altar da Igreja de Santa Waudru.

O Jogo de São Jorge nada mais é que a reconstituição do combate de São Jorge contra o dragão. Este combate é também chamado de Lumeçon, e constitui o apogeu da “Ducasse” de Mons.
Este combate acontece na Praça Central da cidade de Mons no domingo de Trindade e termina às 13h exatamente. São Jorge, símbolo do Bem, é encarregado de deixar o dragão, símbolo do Mal, fora de combate. Nesta luta, o santo é ajudado pelos Chinchins, homens revestidos na cintura de uma forma de cavalo feita de palha e recoberta de pele. O dragão, ele, é ajudado pelos Diabos. Eles vestem um macacão preto com, nas costas, o desenho de um rosto fazendo caretas. Estão armados de bexigas de porco com as quais golpeiam o público que tenta pegar a cauda do dragão. Outros protagonistas do combate são os Homens de Folha (também chamados Homens Selvagens), recobertos de folhas que seguram a cauda do dragão, e os Homens Brancos, que devem carregar o dragão.
Todo o combate segue uma coreografia bem especifica. Enquanto São Jorge evolui na arena no sentido horário, o dragão gira no sentido oposto. Aqui aparece claramente a oposição bem-mal, ordem-desordem. Durante o combate, São Jorge tenta várias vezes de matar o monstro com lanças e duas vezes, sem sucesso, com uma pistola. Finalmente, o santo acaba dominando o dragão com o terceiro tiro. Enquanto isso, os carregadores do dragão mergulham a cauda deste último no público, que tenta agarrá-la. O pêlo da cauda do dragão tem a fama de trazer sorte durante um ano à pessoa que o tem.
Durante o combate, é tocada continuadamente uma melodia chamada Doudou. As letras desta música estão em picard, língua regional da cidade de Mons.
A “Ducasse” de Mons se realiza no fim de semana de Trindade (57 dias após a Páscoa). A festa pode ser adiada de uma semana se eleições acontecem neste fim de semana. As datas de realização da “Ducasse” são portanto móveis mas sempre compreendidas entre uma sexta-feira e uma terça-feira.
Datas das próximas “Ducasse” de Mons:
3 de junho de 2007
18 de maio de 2008
7 de junho de 2009
30 de maio de 2010
Website oficial da “Ducasse” de Mons : http://www.ducassedemons.info/


A “Ducasse” de Ath
Conhecida desde o final do século XIV, a procissão de Ath era religiosa e celebrava a dedicatória da igreja de São Juliano. Os gigantes só começam a aparecer no século XV.
Cenas do Antigo e do Novo Testamento (Golias ou Maria-Madalena) ou da lenda de São Cristóvão eram representadas sobre carroças e na rua. A procissão era financiada pela prefeitura, pela paróquia e pelas confrarias.
A partir do século XVI, o caráter religioso diminui consideravelmente. Todos os gigantes são queimados durante a Revolução Francesa, mas são reconstruídos a partir do começo do século XIX. A partir de 1819 a procissão se torna laica, sob influência dos grandes ideais da época.
Desde sua criação, o evento conheceu vários períodos de declínio devido a situações difíceis (peste, problemas econômicos, etc.), como também interrupções freqüentes, a última acontecendo entre 1940 e 1944.
Nenhuma outra interrupção acontece desde 1945, apesar da grande crise nos anos 60. Nesta época, a procissão parece não atrair mais a atenção da população; os participantes são cada vez mais raros e os cavalos fazem falta para puxar as carroças. Em 1968, sob iniciativa do Círculo de História e Arqueologia de Ath, um Comitê de renovação da Procissão é criado, para ocupar-se da organização das festividades.
Desde o dia 25 de novembro de 2005, a Ducasse de Ath é reconhecida como Obra-Prima do patrimônio oral e imaterial da humanidade pela UNESCO (Lista dos Gigantes e dragões de procissões da Bélgica e da França).


O Carnaval de Binche
O Carnaval da cidade de Binche é o mais famoso da Bélgica. Cada ano, atrai mais visitantes estrangeiros (sobretudo da França), e em 2003 foi reconhecido pela UNESCO como obra-prima do patrimônio oral e imaterial da humanidade. Conhecido desde o século XIV, nunca deixou de ser celebrado. Os moradores da cidade aceitam submeter-se a sacrifícios financeiros importantes para manter a exatidão e a autenticidade do personagem principal deste Carnaval: o “Gille” . Nobre, rico e variado, o carnaval de Binche é anunciado desde o mês de janeiro por repetições de bateria, música, bailes e a famosa noite “des trouilles de nouilles”, e depois se estende por três dias.
A noite “des trouilles de nouilles”
Segunda-feira, seis dias antes do carnaval, os moradores da cidade de Binche e da região podem passear pela cidade disfarçados. Segundo a tradição, uma pessoa disfarçada deve procurar por conhecidos e brincar com eles até que descubram quem se esconde sob a máscara. Se eles descobrem a identidade do mascarado, este deve pagar-lhes um drinque, mas se não conseguem desmascará-lo, eles é quem devem oferecer o drinque da amizade.
Domingo Gordo
Primeiro dia do Carnaval. Os membros das sociedades de Gilles passeiam, fantasiados livremente, pelas ruas de Binche ao ritmo dos tambores. Por volta das 15h, as diferentes sociedades se reconstituem nos arredores da estação, onde começa o desfile: ao som das 26 marchas do Carnaval, pode-se então dançar e admirar as fantasias.
Segunda-feira Gorda
Também chamada de “dia das crianças” porque muitas estão presentes nos desfiles. Os membros das sociedades de Gilles se encontram de manhã nas ruas para dançar, enquanto que na maioria dos bares e cafeterias da cidade, as pessoas se reúnem para as “batalhas de confete”. À tarde, as sociedades de jovens, reagrupados por afinidades políticas, se dirigem até a estação onde, por volta das 19h, começa o fogo de artifício.
Terça-feira Gorda
É o apogeu do carnaval. Tudo começa de madrugada, por volta das 4h da manhã, com o reagrupamento. Os Gilles vão à casa de cada um deles para se reagrupar, dando-se as boas vindas com uma taça de champagne. Continuam suas rotas até a estação, onde tomam o café da manhã: ostras e champagne, como pede a tradição. No final da manhã, após ter colocado a máscara de cera que simboliza a igualdade de todos, eles vão até a praça central junto com Pierrôs e Arlequins. Na prefeitura, recebem medalhas recompensando-os pelas participações no carnaval (para 25 anos, 40 anos, até mesmo mais). Depois, após algumas danças, voltam para casa para almoçar e descansar. Por volta das 15-16h, as sociedades se reconstituem novamente, para participar do desfile que os leva até a estátua do “Camponês” na Praça Central. Laranjas são distribuídas à população. Os grupos continuam passeando nas ruas até umas 21h, quando se reúnem para a última cena na Praça. Um grande fogo de artifício ilumina a cidade ao som dos tambores, que deverão parar de tocar antes do nascer do sol da Quarta-feira de Cinzas.
Website oficial do Carnaval de Binche: www.carnavaldebinche.be


Marchas militares da Entre-Sambre-et-Meuse
Cada ano, de maio a outubro, um grande número de cidades e vilarejos situados entre os rios Sambre e Meuse são o palco das “Marchas”. Trata-se de procissões dedicadas a um santo e acompanhadas por uma escolta armada.
Segundo Joseph Delmelle , essas marchas teriam como origem a organização defensiva no campo no século XVII. Naquela época, bandidos freqüentemente percorriam os arredores dos vilarejos, assaltando viajantes, roubando fazendas abandonadas, e, às vezes, atacando até as procissões para roubar os relicários e ostensórios feitos de ouro ou prata. Para pôr fim a esta situação, milícias camponesas foram constituídas. Elas protegiam as procissões religiosas e ao mesmo tempo as deixavam mais faustuosas. Por isso, apesar da pacificação do campo, homens armados continuaram a acompanhá-las. Hoje, a tradição persiste na Entre-Sambre-et-Meuse e o papel das escoltas armadas é obviamente exclusivamente simbólico e decorativo.
Uma mobilização barulhenta e pacífica
As marchas de Thuin, Châtelet e Gerpinnes (em maio), Walcourt, Gosselies, Florennes e Morialmé (em junho), Jumet (em julho), Ham-sur-Heure (em agosto), e a marcha de Saint-Feuillen em Fosses-la-Ville, que acontece a cada sete anos, são as mais famosas. As marchas são geralmente precedidas por cerimônias curiosas – a “quebra do vidro” por exemplo -, por constituição de companhias, exercícios “em civil” mas com fuzil no ombro, ou por visitas a vilarejos vizinhos para convidá-los ao espetáculo. Um longo trabalho de preparação é necessário para que tudo se realize como previsto: desfiles, acampamentos, batalhões quadrados, descarga de mosquete. Sempre, os espectadores e peregrinos (muitas vezes, multidões compactas seguem essas procissões originais) manifestam sua satisfação e seu entusiasmo.
Meiboom
No dia 9 de agosto, véspera da São Lourenço, Bruxelas planta seu “Meiboom” – ou árvore de alegria – em virtude de um privilégio concedido pelo duque de Brabant, João III, no dia seguinte da vitória dos Bruxelenses em 1308 sobre os Louvanistas. Há portanto quase sete séculos que a tradição se perpetua a cada ano, no quarteirão situado entre a rua dos Sables e a rua do Marais. Festividades acompanham a cerimônia da plantação que acontece imperativamente às 16h30, senão – se tudo não estiver acabado às 17h – o direito ducal seria automaticamente transferido aos Louvanistas... que tentaram em algumas ocasiões de atrasar as operações!
Ommegang
O Ommegang é uma procissão folclórica da capital Bruxelas. Sua origem vem dos grandes desfiles de notáveis, cavaleiros e gigantes que podemos reencontrar em quase toda a Bélgica e também no norte da França sob o nome genérico de Ommegang.
A palavra deriva da raiz gaen (gaan = “ir” em neerlandês) e do prefixo Omme, que significa “em volta”. O que literalmente evoca um percurso, e neste caso uma procissão religiosa e civil que se origina em 1348.
A manifestação começa na praça do Sablon e termina com um espetáculo na Grand Place. Cada começo de julho, é comemorada a alegre entrada de Carlos Quinto em Bruxelas em 1549. Participam em torno de 1400 figurantes, entre os quais vários cavaleiros, vestidos com trajes de época. Desfilam também gigantes como o Arcanjo Gabriel, Santa Gudule e o cavalo Bayard. Antes da chegada de Carlos Quinto, tratava-se de uma simples procissão em honra de Nossa Senhora do Sablon.
Site Oficial do Ommegang: www.ommegang.be


As Festas da Walônia
As Festas da Walônia acontecem na cidade de Namur cada terceira semana do mês de setembro. Elas começam na quinta-feira para acabar na segunda à noite. Essas festas atraem, além da população local, várias dezenas de milhares de visitantes vindos de todos os cantos da Walônia.
Várias animações são organizadas durante esses cinco dias de festa. Entre outras:
- uma missa celebrada em walão (na segunda-feira, na Igreja de São João);
- algumas atrações de feira;
- a degustação de especialidades gastronômicas da Walônia;
- a degustação (muitas vezes abusiva) de peket, álcool típico da região, por quase todos os participantes;
- várias comemorações: uma peregrinação ao cemitério da cidade com homenagem aos soldados das duas Grandes Guerras, a “Rota das Placas” (homenagem aos Namurenses famosos, como Nicolas Bosret, Félicien Rops) ;
- a rota do peket: passeio de barco em volta da cidade e depois nas ruas do “velho Namur”, acompanhado de uma fanfarra e regado a peket.


O Teatro Real de Toone
 O Teatro Real de Toone é um teatro de marionetes de tradição popular de Bruxelas ativo desde 1830. Essa tradição teria como origem um decreto de Filipe II de Espanha, filho de Carlos Quinto, que, odiado pela população, mandou fechar os teatros para evitar que esses se tornassem lugares de agrupamento popular, onde se manifestaria com mais força ainda a hostilidade do povo contra seu governante. Os moradores de Bruxelas trocaram então os atores por polichinelos em teatros clandestinos.
No começo do século XIX, os teatros de marionetes são uma das formas de divertimento para adultos mais famosas nos bairros populares. O repertório é muito variado e se inspira nas lendas populares, das histórias de cavalaria ou ainda das peças religiosas e históricas, que são estruturadas em novelas e interpretadas muito livremente.
Desde sua fundação no bairro dos Marolles, e durante sua história atribulada, nove mestres de marionetes de sucederam na dinastia Toone. A transmissão não ocorre necessariamente de pai para filho: o novo Toone (diminutivo bruxelense de Antonio, nome do fundador), deve ser adotado tanto por seu predecessor quanto pelo público.
Website oficial do teatro Real de Toone: www.toone.be


A Zinneke Parade
A Zinneke Parade é um grande desfile bianual, multicultural e popular da capital belga, cuja primeira edição foi realizada no contexto de “Bruxelas 2000 – Capital Européia da Cultura”. A associação responsável pela sua organização recebe muitos subsídios para assegurar sua realização a cada dois anos, haja vista o enorme sucesso do evento.
A origem do termo zinneke vem do nome de um rio de Bruxelas, subterrâneo desde 1877: o rio Senne, ou “de Zenne” em bruxelense flamengo, onde eram afogados os cães bastardos. A palavra zinneke era então utilizada para designar os vira-latas, e depois com o tempo as populações misturadas, para finalmente designar o conjunto dos moradores de Bruxelas, mistura de Flamengos e Walões, e de todas as nacionalidades que povoam a capital belga.


O Folclore Estudantil
A Saint-Verhaegen
Elemento central do folclore dos estudantes universitários de Bruxelas, a Saint-Verhaegen (ou “Saint-V”) celebra a fundação da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) a (?) cada 20 de novembro. A expressão de “Saint-Verhaegen” apareceu pela primeira vez em 1888: os estudantes quiseram nesta data manifestar-se contra a organização universitária percebida como antidemocrática e afastada do princípio do livre exame; por isso, fizeram publicamente referência ao fundador da ULB, grande promotor do ensino livre e científico.
De manhã, acontecem as cerimônias acadêmicas: encontro dos estudantes no Tir nacional, onde 18 estudantes foram executados durante a Segunda Guerra mundial, e depois homenagem na frente da tumba de Théodore Verhaegen. Em seguida, comemoração no campus da universidade na frente do monumento ao Grupo G, grupo de resistência oriundo da ULB durante a Segunda Guerra. No Hall dos Mármores da Universidade, vários discursos são pronunciados por diferentes personalidades, o canto da ULB é entoado, e as cerimônias da manhã acabam com um drinque na prefeitura.
À tarde, é realizado o desfile no centro da cidade dos carros fretados pelos vários círculos estudantis da ULB, da VUB (Vrije Universiteit Brussel) e de algumas escolas superiores. Na origem puxados por cavalos, os carros são movidos hoje por uma legião de camionetes, caminhões e até jamantas. Suas decorações refletem o tema anual escolhido pelos estudantes: este tema aborda geralmente assuntos tais como a luta contra a extrema-direita, o pacifismo, o meio-ambiente, o anticlericalismo, etc. E claro todos eles transportam barris e fontes de cerveja para dar de beber aos (os) milhares de estudantes e antigos estudantes que participam dessa grande festa – ou guindaille.
A Saint-Toré
A Saint-Toré é uma festa estudantil que acontece na cidade de Liège na 3ª semana de março, e que se baseia no “culto” dos estudantes ao toro de bronze, Li Tore de Leon Mignon, para comemorar a chegada da primavera.
Reagrupando entre dez e quinze mil estudantes, um grande desfile de Saint Toré, com carros alegóricos, vai até a estátua, cujas partes másculas são então pintadas de cor forte, para marcar a volta da bela estação. A Saint-Toré é também a última grande guindaille do ano universitário, um mês e meio antes dos exames.


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